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Mostrando postagens com o rótulo Política brasileira

Falas de Bolsonaro sobre a Igreja Católica ou seus membros

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Sobre Dom Paulo Evaristo Arns: durante discurso no plenário da Câmara, o presidente o chamou de “desocupado”, “vagabundo”, “megapicareta” e detentor das chaves “da porta do inferno”. Também disse que o religioso deveria “se recolher à sua insignificância, ao seu trabalho demagogo”¹. Sobre os bispos brasileiros: Bolsonaro os definiu como “a parte podre da Igreja Católica”². Sobre o padre Julio Lancellotti: o presidente o chamou de “Padre Pajero”, com um “padrão Fifa, padrão 7 a 1”, sugerindo que ele não é sério ou responsável. Sobre Jesus: Bolsonaro opinou que “ele não comprou pistola porque não tinha naquela época”⁴. Referências: ¹ < https://bit.ly/2ChsJva >. ² < https://bit.ly/3RCcCv8 >. ³ < https://bit.ly/3CwpVZx >. ⁴ < https://bit.ly/3Ei44GH >.   

Aos evangélicos indecisos

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Tenho muitos amigos evangélicos. Não sou evangélico. Isto não me impede de ter uma relação respeitosa com o protestantismo, ou de escutar com atenção os bons exemplos de líderes com raízes protestantes. Posso começar citando o irmão Roger, fundador da comunidade ecumênica de Taizé, na França. Grande cristão, soube promover a paz, o diálogo e o respeito. Era filho de um pastor protestante. Relacionou-se admiravelmente bem com a igreja católica, escrevendo, por exemplo, livros com a madre Teresa de Calcutá. Cito, também, o pastor batista Martin Luther King Jr., imenso defensor dos direitos civis nos Estados Unidos. No Brasil, dou destaque à pastora luterana Romi Bencke, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), a qual acompanho há tempos. Ela teve participação muito importante na última Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE), no ano passado, ocasião em que foi muito atacada nas redes sociais por pessoas extremistas e fundamentalistas, recebendo notas d...

Sobre o discurso de Bolsonaro no 7 de Setembro

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No ano passado, ao assistir ao depoimento da médica Nise Yamaguchi em sessão da CPI da Pandemia — ocasião em que foi perguntada insistentemente sobre a diferença entre vírus e protozoários —, nunca imaginei que veria outra vez, em escala nacional, constrangimento tão grande. Hoje, porém, tive a infelicidade de assistir a trechos do discurso de Bolsonaro no Sete de Setembro; dentre eles, um em que o presidente “uiva” (?) e outro em que ele repete: “Imbrochável, imbrochável, imbrochável…” — pedindo coro daqueles que o escutavam. O constrangimento de hoje se equipara ao do episódio de Nise, mas dele se diferencia por ter sido autoprovocado: foi uma autodesonra, um autovexame.    

Sobre a entrevista de Ciro Gomes no JN

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A entrevistadora Leda Nagle já recebeu várias vezes membros da família Bolsonaro em sua casa. Os entrevistados eram sempre recebidos de modo amigo, cúmplice. Leda dava a cada um a oportunidade de falar o que quisesse, sem ser interrompido. As perguntas que ela fazia eram meramente norteadoras, não provocativas. Hoje, ao assistir à entrevista de Ciro Gomes no Jornal Nacional, lembrei-me de Leda.

Eleições presidenciais: meu rascunho de utopia

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  Certa vez, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, citando o teórico do cinema e cineasta argentino Fernando Birri, respondeu brilhantemente para que serve a utopia: “A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isto: para que eu não deixe de caminhar.” De fato, falta ao Brasil uma boa utopia, para que se caminhe para a frente, em vez de para trás, como ultimamente temos feito. Pensando assim, rascunho, aqui, uma pequena utopia para as eleições presidenciais brasileiras.   Parto do pressuposto de que, para se ter um bom presidente, é necessário haver, primeiro, um bom candidato. Seguindo essa lógica, se todos os candidatos forem bem qualificados (não digo, necessariamente, bons), então o presidente eleito será, também, bem qualificado. Assim, entendo que seria interessante um instrumento que permitisse seleci...

Parabéns, eleitor(a) do Bolsonaro

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Parabéns, eleitor(a) do Bolsonaro. Você brilhou. A UFRJ corre sérios riscos de parar de funcionar graças a você. Sim, a você. Imagino que você deva estar muito orgulhoso(a) do desmonte da educação, projeto que seu mito tanto prezou e que já é realidade em todo o país. Alguns danos, para a sua alegria, já são irreversíveis. O corte de verbas do ano retrasado, que você chamava de “contingenciamento”, ainda é sentido nos dias de hoje. Interrompeu pesquisas, demitiu funcionários que ganhavam pouco, porque eram terceirizados. E, ainda por cima, veio um novo corte orçamentário para as universidades e institutos federais. Tudo isso com a sua ajuda. Novamente, parabéns a todos os envolvidos.   “Ah, mas eu votei no Amoêdo.” É verdade, eu tinha me esquecido disso. O Amoêdo concorreu à presidência não só no primeiro turno, mas também no segundo. É verdade. Mas tenho a certeza de que o Amoêdo faria o mesmo, pois é um liberal, não é? E o que é a educação pública senão uma incômoda despesa d...

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”: breve reflexão teológico-semiótico-política em tempos de pós-verdade

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  O Evangelho da Liturgia de hoje contém um versículo construtivamente associado a Jair Bolsonaro. Trata-se de uma passagem do oitavo capítulo do Evangelho de João. A frase “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8, 32) é usada como instrumento político pelo presidente desde, pelo menos, 3 de maio de 2016. Nessa data, o então deputado discursou em uma sessão plenária da Câmara em que, após citar o referido excerto, disse que “obviamente, a verdade é Jesus, é Cristo”; mas, em seguida, complementou: “trazendo para o nosso paralelo aqui, o nosso nível dos mortais, [...] eu quero agradecer a manifestação de apoio que eu tive, [...] em especial do Rio de Janeiro, onde mais de 300 pessoas compareceram em meu condomínio apoiando as nossas verdades. A verdade nos libertará!”. Essa tentativa enviesada de contextualização da passagem bíblica se repetiu dezenas de vezes depois disso, sobretudo em sua campanha presidencial.   Em artigo publicado no ano passado na ...

Catolicismo ou bolsonarismo

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Não tenho a propriedade de dizer que católicos verdadeiros não possam ser apoiadores de Jair Bolsonaro em tempos de novo coronavírus, mas tenho o direito de elencar os cinco pontos seguintes: 1. Na nota “Em defesa do SUS, da ciência e da vida!”, de 25 de março, a Juventude Franciscana (JUFRA) do Brasil manifestou repúdio ao pronunciamento de Bolsonaro no dia anterior sobre a pandemia. Diz parte do texto: “discursos como este, matam. Enquanto o mundo se une para tentar encontrar maneiras de superar a pandemia, o Presidente do Brasil incentiva sua transmissão a partir deste discurso, colocando em risco toda a população brasileira”. 2. No documento “Pacto pela Vida e pelo Brasil”, subscrito pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no mês passado, é defendido: “o isolamento se impõe como único meio de desacelerar a transmissão do vírus e seu contágio”. Vale recordar que, em 2018, Bolsonaro chamou os bispos de “a parte podre da Igreja Católica”. 3. Na nota “Po...

O calvário do “messias”

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Em El Salvador, a pandemia do novo coronavírus está a revelar a face autoritária do jovem presidente Nayib Bukele. Após uma onda de assassinatos que deixou 23 mortos em apenas um dia, o governante concedeu carta branca ao Exército, confinou detentos de gangues rivais na mesma cela e impediu que a luz entrasse nas prisões – com respaldo do povo: Bukele tem cerca de 90% de aprovação popular. Muitas semelhanças têm entre si os governos brasileiro e salvadorenho. Contudo, há uma diferença crucial no caso sul-americano: aqui, a pandemia tem feito o presidente perder poder. Nosso “profeta” – segundo André Mendonça, o novo ministro da Justiça – e “messias que não faz milagre” – segundo o próprio Bolsonaro – está assistindo a sua coalizão desmoronar. Falsos profetas, quando surgem, costumam ser bem recebidos em suas pátrias – mas, como Bolsonaro bem lembra, no fim, a verdade impera. E está-se começando a verificar o calvário do “messias de arma na mão”, como canta Mangueira. Já s...

A crise de meia-idade do PDT

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O Partido Democrático Trabalhista está com quarenta anos e em crise de meia-idade. Nas eleições de 2018, o candidato Ciro Gomes foi um verdadeiro destaque; com boa oratória, soube ser oposição ao PT e a Bolsonaro. Experiente, com boas propostas e argumentação convincente, conquistou o apoio de grande parte da centro-esquerda. Mesmo o PDT terminando em terceiro lugar nas presidenciais, logo depois surgiu um grande fenômeno no partido: Tabata Amaral. Jovem, dinâmica, inteligente e crítica. Representou muitos não só da centro-esquerda, como também de setores mais à esquerda de suas próprias convicções. Tudo isso até chegar a tão amotinada Reforma Previdenciária do Brasil. O apoio público de Tabata em favor da reforma descontentou a maioria de seus apoiadores; ainda assim, continuou sendo inspiração para parte da centro-esquerda favorável à reforma e, depois, parte da centro-direita, popularmente chamada “Centrão”. Mas não por muito tempo: os jornais deixaram de se preocupar ...

Os frutos virais da incoerência administrativa

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O cientista político Sérgio Abranches já deixou claro em análise recente: uma das poucas coisas que já sabemos sobre o novo coronavírus é que quanto pior a governança, piores os impactos da pandemia. Foi o caso da Itália, da Espanha e dos EUA, que se encontravam em estado de instabilidade ou má gestão políticas logo antes dos primeiros casos surgirem. O problema é que as condições normais do Brasil são de instabilidade política e má gestão, desde alguns anos. O que mais se nota nestas terras, com efeito, é a incoerência administrativa. Basta se inteirar dos últimos comportamentos de Jair Bolsonaro para se averiguar a questão: o presidente diz que a Covid-19 é um resfriadinho, o presidente usa máscara; o presidente ameaça demitir seu ministro da saúde, o presidente prega união. Condições parecidas são observadas nas Minas Gerais: o governador defende isolamento social, o governador diz que não deve ocorrer isolamento social porque “o vírus deve viajar”; o prefeito...

VELHO

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“Eu vejo o futuro repetir o passado” . O verso de Cazuza é a primeira coisa que me vem à mente quando me lembro de um recente partido político, fundado em 2011, de nome NOVO. Muitas coisas têm nomes que enganam: quem ouve falar de “mão-curta” pela primeira vez pode pensar que se trata de uma mão pequena, quando, na verdade, trata-se de um pequeno veado de corninhos, que nem mãos possui. Com o Novo, ocorre algo semelhante. Quem escuta pela primeira vez seu nome até imagina se tratar de um partido pragmático e que executa uma política jovem e inovadora. Ledo engano. Assim como o mão-curta não tem mão, o Novo não tem novidade. Quem procura inovação no Novo decepciona-se. O máximo que neste se possa achar é uma sobra de “empreendedorismo”, uma palavra grande demais para meu gosto. Não obstante, quem olha o Novo com um pouquinho de atenção, e de discernimento, enxerga o passado: vislumbra a grotesca “velha política”, particularmente executada por intermédio de elementos laranj...

Os companheiros de Zezé

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“Olha a cabeleira do Zezé!/Será que ele é?/Será que ele é?” A marchinha carnavalesca de João Roberto Kelly e Roberto Faissal parece dialogar com a desconfiança de outra marcha, que também costuma zombar da juventude transviada brasileira: a militar. O presidente Jair Bolsonaro, capitão reformado, publicou recentemente, em sua conta do Twitter, comentário a respeito de uma decisão do Ministério Público Federal da Bahia, feita no meio do ano passado, que proibiu escolas militares de interferirem no corte de cabelo dos estudantes, assim como autoridades de opinarem sobre a cor das unhas dos alunos. Ora, em julho de 2019, o MPF na Bahia questionou a qualidade de ensino de colégios militarizados no estado e apresentou várias violações de direitos de crianças e adolescentes nesses ambientes, os quais vetavam as escolhas individuais e a participação dos estudantes em manifestações políticas. Descontente com a liberdade de expressão permitida com o ocorrido, Bolsonaro sug...

Onde esteve Wally?

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Estudei um pouco sobre hibernação nos últimos dias. É um processo biológico muito interessante. Os ursos-negros, por exemplo, hibernam de cinco a sete meses por ano. Durante esse tempo, não bebem, comem, urinam ou defecam; seus corações chegam a bater apenas nove vezes por minuto, e respiram tão somente uma vez a cada 45 segundos. Sem embargo, não são todos os ursos que hibernam. Muito pelo contrário. Espécies como urso-pardo, urso-polar, urso-panda e urso-de-óculos não passam por esse processo. Na verdade, pelo que entendi em minhas leituras, inexiste sequer um consenso entre os biólogos se, de fato, ursos-negros hibernam. Não obstante, o que vejo é que alguns seres humanos parecem hibernar. Uns, por anos a fio; outros, por meses ou semanas. Exemplos: a cantora Simone parece ter seu metabolismo musical reduzido a quase nada nos meses intermediários do ano, enquanto esse somente volta a crescer em dezembro, com a canção “Então é Natal”. A política Marina Silva, por outro ...

As hienas somos nós

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Sem dúvidas, uma das melhores canções do álbum Deus é mulher , da cantora brasileira Elza Soares, é “Hienas na TV”. Conheci a música assim que a faixa foi lançada nas plataformas virtuais. Desde então, cheguei, inclusive, a valer-me dela para construir repertório sociocultural em redação do Enem. Dito isso, segue a primeira estrofe da composição: “Sim, digo sim pra quem diz não;/e pra quem quiser ouvir, eu digo não./Não, digo não porque eles vêm,/eles vêm pra devorar meu coração./Vêm, onde e quando você vê/as hienas na TV, essa visão./Vêm, se arrastando pelo chão,/gargalhando sobre nós./Eu digo não” – o ritmo faz-me recordar a capoeira, jogo de resistência. Fato é que, recentemente, enquanto eu estava a passar tempo usando o Twitter, verifiquei que um vídeo muito desrespeitoso havia sido exposto ao público por intermédio da conta oficial do presidente da república, por um curto instante – e posteriormente apagado. Por prontidão dos jornais e usuários, contudo, a mídia f...