Quilombo itinerante
A exposição Quilombo itinerante, organizada por Márcia de Fátima Xavier e Teófilo Arvelos, é uma mostra fotográfica e documental dedicada a divulgar a história do Quilombo do Ambrósio de Ibiá/Campos Altos, considerado um dos mais importantes quilombos de Minas Gerais no século XVIII. A exposição combina arte, memória histórica e divulgação científica, aproximando o público da experiência quilombola e de seus processos de resistência.
O projeto nasceu a partir de um trabalho de extensão realizado em 2019 pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), nos municípios de Ibiá e Campos Altos, em Minas Gerais. Durante a iniciativa, estudantes, professores e moradores da região participaram de atividades de pesquisa, entrevistas e registros audiovisuais que buscavam recuperar memórias e narrativas ligadas ao antigo quilombo.
As fotografias, produzidas por Teófilo Arvelos, documentam tanto o território quanto as histórias e experiências das pessoas que vivem na região hoje. Esses registros visuais foram reunidos e organizados em uma exposição que procura transformar a pesquisa de campo em um instrumento educativo e cultural, capaz de dialogar com diferentes públicos.
O eixo histórico da mostra é o Quilombo do Ambrósio, que existiu no século XVIII. Inicialmente localizado na região de Cristais (MG), o quilombo foi atacado por forças coloniais, levando seus habitantes a se deslocarem e fundarem uma nova comunidade entre os atuais municípios de Ibiá e Campos Altos. A trajetória dessa comunidade tornou-se um símbolo regional da resistência negra ao sistema escravista.
Ao recuperar essa história, a exposição procura evidenciar não apenas os conflitos do período colonial, mas também a capacidade de organização, mobilidade e sobrevivência das comunidades quilombolas. A mostra também valoriza a importância da memória oral e das narrativas locais na construção do conhecimento histórico.
A linguagem da exposição articula diferentes elementos: fotografias do território e das comunidades atuais, textos explicativos sobre a história do quilombo, entrevistas e registros audiovisuais. Esses materiais constroem uma narrativa que permite ao visitante percorrer visualmente o território e refletir sobre a permanência das experiências quilombolas na formação cultural da região.
O caráter itinerante da exposição possui um duplo significado. Por um lado, faz referência ao deslocamento histórico dos quilombolas após os ataques sofridos pela comunidade original. Por outro, diz respeito à própria circulação da exposição, que foi concebida para ser apresentada em diferentes instituições e eventos acadêmicos e culturais.
Desde sua criação, a mostra já foi exibida em vários espaços, como o campus do IFTM em Patos de Minas e o Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e em eventos científicos e culturais em Minas Gerais. Esse percurso reforça a proposta de ampliar o acesso ao tema e estimular o debate público sobre memória, história e resistência negra no Brasil.
Posteriormente, o material reunido na exposição foi ampliado e transformado no livro Quilombo itinerante: uma exposição transformada em livro, publicado pela Editora do IFTM, que reúne as fotografias, os textos históricos e as reflexões produzidas ao longo do projeto. A publicação permite que o conteúdo da exposição alcance novos leitores e preserve o trabalho desenvolvido. Seu lançamento ocorreu em 2025, no V Congresso Nacional de Estudos das Relações Étnico-Raciais (CONERER), em Patos de Minas.
Em síntese, Quilombo itinerante é uma iniciativa que articula pesquisa, fotografia e educação para preservar e divulgar a memória do Quilombo do Ambrósio. Ao tornar visíveis essas histórias, o projeto contribui para ampliar o reconhecimento das experiências quilombolas e para fortalecer reflexões sobre território, identidade e resistência na história brasileira.
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