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Eleições presidenciais: meu rascunho de utopia

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  Certa vez, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, citando o teórico do cinema e cineasta argentino Fernando Birri, respondeu brilhantemente para que serve a utopia: “A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isto: para que eu não deixe de caminhar.” De fato, falta ao Brasil uma boa utopia, para que se caminhe para a frente, em vez de para trás, como ultimamente temos feito. Pensando assim, rascunho, aqui, uma pequena utopia para as eleições presidenciais brasileiras.   Parto do pressuposto de que, para se ter um bom presidente, é necessário haver, primeiro, um bom candidato. Seguindo essa lógica, se todos os candidatos forem bem qualificados (não digo, necessariamente, bons), então o presidente eleito será, também, bem qualificado. Assim, entendo que seria interessante um instrumento que permitisse seleci...

O Estadão e a defesa do marco temporal

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  Uma das melhores formas de se ter uma ideia da “índole” de um jornal, isto é, de se conhecer a quem ele serve, é lendo os seus editoriais. E, tratando-se dos jornais hegemônicos brasileiros, como O Globo, Estadão e Folha de S.Paulo, não é preciso ser um analista de discurso para ver, de cara, que seus compromissos, muitas vezes, não são os melhores. A Folha, por exemplo, em editorial de setembro do ano passado , defendeu a volta às aulas presenciais ainda naquela época, argumentando que “Nesta altura, torna-se claro que a chamada segunda onda da pandemia é evento incomum”. (Recentemente, contrariando a falsa afirmação desse jornal, a quarta onda de covid-19 chegou à Alemanha.) Já o Estadão, em um de seus editoriais mais famosos, “Uma escolha muito difícil” , de outubro de 2018, demonstrou uma “incerteza” e uma falsa neutralidade nas eleições presidenciais — um de seus piores editoriais da história, que desmascara a sua imparcialidade de fachada até os dias de hoje. Mas, além da l...

Carta a um rio enfermo

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Patos de Minas, 6 de julho de 2021.   Caro amigo Paranaíba,   Fiquei bastante triste quando soube, há alguns dias, que você estava infectado. Devido à pandemia, inicialmente, imaginei que você tivesse contraído a covid-19, já que ouvi relatos de que se notava certa falta de ar puro em alguns pontos de sua extensão. Contudo, logo percebi que você não havia sido infectado por um vírus, mas por dejetos humanos; dentre eles, ignorância, descompromisso e irresponsabilidade.   No mês passado, cheguei a fotografar suas bonitas formas com meu drone, enquanto um apaixonante pôr do sol se exibia no horizonte. Confesso que não prestei muita atenção, naquele dia, às suas cores. Nós, seres humanos, mudamos de cor dependendo de nosso estado de saúde e de nossas emoções. Podemos ficar pálidos, avermelhados ou amarelados, por exemplo. Sei que os rios também mudam de cor por uma série de fatores diferentes. Dentre eles, o motivo de sua enfermidade.   Com efeito, o que tenho lido no n...

O que está acontecendo com Angela Ro Ro?

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  Na noite de ontem, lembrei-me de uma belíssima interpretação de 2013 da música “Fogueira”, cuja letra é da compositora e pianista Angela Ro Ro, na voz de Maria Bethânia e de Angela e gravada pela Biscoito Fino. Hoje, observei que eu não lia, desde muito tempo, notícias sobre a Ro Ro, que já foi considerada pela revista  Rolling Stone a 33ª maior voz da música brasileira, e decidi procurar alguma coisa sobre ela na internet, especialmente em suas redes sociais.   Logo fiquei surpreso ao saber que, durante a pandemia, a compositora já pediu doações três vezes aos fãs, afirmando estar passando por dificuldades financeiras: no ano passado, em junho e em novembro; este ano, em junho. Angela Ro Ro informou publicamente os dados de sua conta, incluindo o seu CPF. “Quem puder depositar apenas R$ 10, agradeço” , disse ela.   Ademais, também me surpreendi ao saber que Angela, de 71 anos, namorava virtualmente uma jovem 50 anos mais nova do que ela desde dezembro do ...

Varal de roupas

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Tudo começou com o vento, derrubando, de vez em quando, alguma roupa do varal. “Está parecendo agosto” — comentou minha mãe. Eu não estava prestando muita atenção. “Como é?”. “Parece agosto” — ela repetiu. Olhei ao redor e senti um vento meio frio, exigindo uma blusa ao mesmo tempo em que fazia sol. “Realmente, parece agosto”. Breve silêncio. “Mas ainda estamos em junho!” — respondi, como se estivesse a confessar algum segredo.   Mas não pode ser segredo o que está ali para todos. “Em junho?! Já?!” — admirou-se minha mãe. Já. O tempo passa rápido, mas não sei se sempre. Para mim, os dias são lentos e as semanas passam rápido. Os meses e os anos, então, voam como o vento. Quanto maior o período de tempo, mais depressa passa.   Olhei minhas roupas. Não as que eu levava no corpo, mas as que secavam no varal. “O vento deve fazê-las secar mais rápido”, pensei. Seria o vento uma materialização do tempo? Tudo se apressa quando há vento: as aves voam de um lado para outro dese...

Sites culturais e auxílio a artistas patenses

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  Ontem (27/05), a Câmara Municipal de Patos de Minas votou o Projeto de Lei nº 5242/2021, de autoria do Poder Executivo, que “Institui o auxílio emergencial ao segmento cultural de Patos de Minas, destinados aos artistas, em decorrência da suspensão das festas e eventos em 2021, por força da COVID-19.” Em carta ao vereador Ezequiel Macedo Galvão, presidente da Câmara, o prefeito Luís Eduardo Falcão escreveu: “O presente projeto visa credenciar trabalhador e trabalhadora da cultura, da cadeia produtiva dos segmentos artísticos e culturais: incluindo artistas, produtores, técnicos, curadores, oficineiros e professores de escolas de arte, para o recebimento do auxílio emergencial cultural de Patos de Minas.” Segundo o artigo 4º do projeto de lei, “O auxílio de que trata a presente Lei será pago em duas parcelas sucessivas, no valor de R$300,00 (trezentos reais) cada.”   No mesmo dia (27), o Jornal de Patos, importante site cultural da cidade, publicou a notícia “Vereador Las...

Parabéns, eleitor(a) do Bolsonaro

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Parabéns, eleitor(a) do Bolsonaro. Você brilhou. A UFRJ corre sérios riscos de parar de funcionar graças a você. Sim, a você. Imagino que você deva estar muito orgulhoso(a) do desmonte da educação, projeto que seu mito tanto prezou e que já é realidade em todo o país. Alguns danos, para a sua alegria, já são irreversíveis. O corte de verbas do ano retrasado, que você chamava de “contingenciamento”, ainda é sentido nos dias de hoje. Interrompeu pesquisas, demitiu funcionários que ganhavam pouco, porque eram terceirizados. E, ainda por cima, veio um novo corte orçamentário para as universidades e institutos federais. Tudo isso com a sua ajuda. Novamente, parabéns a todos os envolvidos.   “Ah, mas eu votei no Amoêdo.” É verdade, eu tinha me esquecido disso. O Amoêdo concorreu à presidência não só no primeiro turno, mas também no segundo. É verdade. Mas tenho a certeza de que o Amoêdo faria o mesmo, pois é um liberal, não é? E o que é a educação pública senão uma incômoda despesa d...