A briga de Falcão com os manifestantes hoje foi constrangedora para ambas as partes. Foi constrangedora para os comerciantes porque o novo lockdown não foi uma decisão municipal, mas estadual, e o prefeito não pode fazer nada para driblar essa ordem. E foi constrangedora para Falcão por motivos óbvios demais para serem escritos. O desfecho do alvoroço foi o arremesso da máscara e dos papéis do prefeito no chão, por ele próprio. Aqui, foi constrangedor para a Patos de Minas inteira. Todos nós perdemos a briga. “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas” — escreveu Machado de Assis. Hoje, ninguém levou batatas. Os comerciantes e o prefeito receberam um pot-pourri de ódio e de compaixão, tanto da opinião pública quanto deles mesmos. Não sei se ainda é válido apontar culpados pelo caos atual. Ao mesmo tempo, eu gostaria de poder afirmar que “cada um sabe de si”, mas seria mentira. Há muitos que não sabem de si; há muitos que não sabem as consequê...
1) Em uma praça, peça um algodão-doce a um vendedor do produto. Enquanto a guloseima não fica pronta, faça-se hipnotizado pela magia dos fios cor-de-rosa transformando-se em nuvem no palito. 2) Ao tomar uma casquinha, distraia-se com alguma coisa até perceber que o sorvete começou a derreter, depois de ele já ter tocado o dedo de sua mão. Então, faça cara de espanto e ponha-se a lambê-lo depressa, num lado e noutro. 3) Ao comprar macarrão em um supermercado, eleja o de letrinhas. Em casa, tendo-o preparado, forme palavras que acompanharam você em sua infância. 4) Coma um suspiro. Depois, suspire. 5) Ponha um pirulito na boca. Primeiro, segurando o cabinho entre os dedos indicador e médio, finja estar fumando. Em seguida, movimente o pirulito de um canto a outro da boca e o retire depressa, produzindo um melodioso estalo.
Fiquei surpreso quando, em um ponto de ônibus, perguntei a um homem do campo onde ele morava. Com seu jeito simples de se expressar, ele me respondeu que morava “no estrangeiro”. Pensei que ele se referia a qualquer torrão de terra fora do município — ou talvez do estado, mas não mais do que isso. Seu sotaque era brasileiro. Sua cara e seu corpo eram brasileiros. Além do mais, sua roupa era tão simples (e brasileira) que não me impressionaria se o homem não tivesse sequer uma carteira de identidade. “E onde é que fica o estrangeiro?”, perguntei. Tirando o chapéu, ele apontou para os fundos da cidade e me explicou o caminho: “Atravessa a ponte, daí vai seguindo toda a vida até a estrada de terra, e segue outra vida e vira à esquerda, e vai...” Fui enumerando e descobri que, ao todo, seriam necessárias cinco vidas para se chegar ao estrangeiro. Perguntei a ele: “São quantos quilômetros?”. “Uns trinta”, ele me disse. O estrangeiro ficaria, portanto, a apenas trinta quilômetros de mim. ...
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